MINI-ARTIGOS SOBRE AS ESPÉCIES

Nesta secção encontram-se mini-artigos sobre as espécies, de forma sucinta e clara, ficamos a conhecer um pouco mais sobre a nossa fauna. Ilustrados com as melhores fotografias da espécie.

AS MINHAS MISSÕES

Ao contrário dos artigos, nas missão explico como consegui fotografar as espécies (ou observar). O que sofri e as peripécias para as conseguir fotografar tranquilamente e sem as perturbar.

TRUQUES E DICAS

Nesta secção poderá encontrar alguns truques e dicas sobre fotografia de vida selvagem e de natureza, desde as técnicas utilizadas na máquina como algumas das técnicas utilizadas no terreno.

ABRIGOS

Para além dos vários truques, existem também alguns abrigos já montados que podemos frequentar em Portugal e outros tantos em Espanha. Serão apenas colocados abrigos que tenha frequentado.

PROJETOS

Os vários projetos que tenho realizado, desde panfletos, livros, workshops, entre outros.

UM MÊS...UMA AVE

A Fundação Calouste Gulbenkian com o apoio científico da Fundação Luis de Molina e da Universidade de Évora apresenta nos jardins da fundação em Lisboa o projeto "UM MÊS...UMA AVE". Todos os meses foi apresentada uma espécie presente nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. A lista de espécies do primeiro ano está terminada.

Canal Youtube onWILD

Novo canal no youtube destinado apenas a filmagens de vida selvagem. Subscrevam.

Definições Canon 7D Mark II

As definições que utilizo na minha máquina para a fotografia de aves.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Artigo: Abutre-preto



EXIF F/6.3 1/320 ISO-1600
500mm   25.7m

O abutre-preto (Aegypius monachus) é uma espécie mundialmente quase ameaçada (NT), no entanto, em Portugal o seu estatuto de conservação é criticamente em perigo (CR). Atualmente decorre um projeto LIFE Habitat Lince-Abutre que visa protegê-lo e ao seu habitat.


EXIF F/6.3 1/200 ISO-1000
500mm   25.7m

Este abutre do velho mundo é a maior ave de rapina da Península Ibérica, e uma das maiores da Europa. Nidifica na região mediterrânica, principalmente na Península Ibérica, Sul de França e outras regiões mais a sul (como a Grécia). A sua população reprodutora Europeia encontra-se estimada entre os 1450 e os 1477 casais, no entanto mais de 90% dos pares reprodutores, cerca de 1340, localizam-se na vizinha Espanha.

EXIF   F/6.3   1/200   ISO-1000
500mm   32.8m

Prefere habitar regiões rochosas e com grandes declives, usualmente florestadas com pinheiros ou carvalhos, e onde as correntes de ar ascendentes criadas pelos ingremes montes facilitam a descolagem. Os montados são os locais de eleição para a alimentação, este complexo sistema agro-pastoril, onde o número medio de árvores por hectare é de apenas 50 e o principal uso do solo é o pastoreio de gado, revelou-se um excelente habitat para os abutres-pretos procuraram carcaças de animais (mortos).


EXIF F/6.3 1/400 ISO-1600
500mm 32.8m

A dieta deste magnífico e imponente necrófago consiste em carcaças de animais de pequeno e médio porte. O coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) é o elemento chave da sua alimentação e as recentes diminuições das populações de coelho-bravo levaram à diminuição dos recursos alimentares. O aumento das áreas de criação de gado e o aumento das regiões e herdades destinadas à caça grossa (montarias), contribuem para a diminuição das fontes de alimento para esta espécie, que ao contrário do mais abundante grifo, prefere pedaços mais pequenos para se alimentar. As alterações nas políticas agrícolas comuns (CAP) e nas regras de segurança alimentar também originaram uma diminuição dos recursos alimentares, pois o gado que morre por causas naturais é recolhido pelos proprietários.

EXIF   F/9   1/1000s   ISO-320
500mm   63.3m

Este necrófago consegue procurar alimento por grandes superfícies e chega a percorrer enormes distâncias, devido à sua grande envergadura (asas grandes) e tamanho, possui uma grande facilidade em aproveitar as correntes de ar naturais. Os seus requerimentos energéticos e a imprevisibilidade espácio-temporal dos seus recursos naturais obriga-o a percorrer enormes distâncias para encontrar alimento. O tempo percorrido à procura de alimento depende da quantidade de luz disponível e das condições climáticas. Na primavera eles dispõem de mais tempo de voo (cerca de 11 horas), no entanto, no inverno esse tempo é drasticamente reduzido (apenas 7 horas), obrigando-os a levantar voo mais cedo e perto do crepúsculo, para maximizar o seu voo. Os dias chuvosos impedem o seu voo na maioria dos dias de inverno.


EXIF F/6.3 1/160 ISO-1000
500mm 32.8m

A criação de comedouros, autênticos restaurantes para aves necrófagas (tal como o grifo e o abutre-preto) podem ser uma solução, no entanto, a solução perfeita será conservar o seu habitat de alimentação, o montado. No entanto, o montado tem vindo a desaparecer. Este habitat semelhante a uma savana tem vindo a ser sucessivamente substituído por monoculturas, tem sido abandonado, sofrido sobre pastoreio e nalguns casos foi convertido em culturas irrigadas. Os seus locais de nidificação estão usualmente localizados perto dos montados.

EXIF F/6.3 1/200 ISO-1000
500mm 32.8m

O abutre-preto nidifica em árvores de grande diâmetro, baixas e com poucas árvores em redor, em zonas do terreno ingremes e a grandes distancias das estradas de acesso. Os ovos são colocados entre Fevereiro e Março, e a (s) cria (s) permanece (m) no ninho durante mais de 110 dias. Mas a impredictabilidade na obtenção de alimentos envolve grandes investimentos parentais. No entanto, os indivíduos em nidificação encontram-se obrigados a regressar todos os dias aos seus ninhos (ou colonia) e possuem um comportamento de forrageadores mais centralizado.


EXIF F/6.3 1/200 ISO-1000
500mm 32.8m

 A sua escolha do local de alimentação é um conjunto de fatores entre os habitats disponíveis e a distância aos mesmos. Para o conservar há que preservar árvores velhas e antigas. Há que manter as zonas de nidificação como um santuário de abutres e sob proteção especial, e manter outros locais de possível nidificação mas ainda não utilizados, com poucos distúrbios e sem o corte de árvores, tal como avaliar possíveis alterações no habitat e o seu impacte no abutre-preto.


EXIF F/6.3 1/160 ISO-1000
500mm 32.8m

 Os motivos do seu desaparecimento encontram-se associados à perda do habitat, à diminuição dos recursos alimentares disponíveis devido a alterações nas práticas agrícolas e pastoris. A última e principal causa de mortalidade e desaparecimento do abutre-preto é o envenenamento.

EXIF F/6.3 1/200 ISO-1000
500mm 32.8m


sábado, 5 de janeiro de 2013

Missão: Abutre-preto


EXIF F/9 1/500 ISO-320
500mm 63.3m

O abutre-preto, Aegypius monachus, é uma das maiores aves de rapina da Europa, no entanto, é também uma das espécies mais ameaçada. A sua pouca tolerância para a presença humana, faz desta espécie uma das mais difíceis de fotografar. Era uma espécie que há muito gostaria de fotografar, mas que normalmente apenas a vejo a voar à distância. Foi com enorme satisfação que finalmente consegui fotografá-lo, no entanto, e como biólogo anseio sempre pelo nosso próximo encontro.
Para mais informações sobre o ABUTRE-PRETO ler o artigo que escrevi sobre esta espécie.
 

EXIF F/6.3   1/200   ISO-1000
500mm   32.8m