MINI-ARTIGOS SOBRE AS ESPÉCIES

Nesta secção encontram-se mini-artigos sobre as espécies, de forma sucinta e clara, ficamos a conhecer um pouco mais sobre a nossa fauna. Ilustrados com as melhores fotografias da espécie.

AS MINHAS MISSÕES

Ao contrário dos artigos, nas missão explico como consegui fotografar as espécies (ou observar). O que sofri e as peripécias para as conseguir fotografar tranquilamente e sem as perturbar.

TRUQUES E DICAS

Nesta secção poderá encontrar alguns truques e dicas sobre fotografia de vida selvagem e de natureza, desde as técnicas utilizadas na máquina como algumas das técnicas utilizadas no terreno.

ABRIGOS

Para além dos vários truques, existem também alguns abrigos já montados que podemos frequentar em Portugal e outros tantos em Espanha. Serão apenas colocados abrigos que tenha frequentado.

PROJETOS

Os vários projetos que tenho realizado, desde panfletos, livros, workshops, entre outros.

UM MÊS...UMA AVE

A Fundação Calouste Gulbenkian com o apoio científico da Fundação Luis de Molina e da Universidade de Évora apresenta nos jardins da fundação em Lisboa o projeto "UM MÊS...UMA AVE". Todos os meses foi apresentada uma espécie presente nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. A lista de espécies do primeiro ano está terminada.

Canal Youtube onWILD

Novo canal no youtube destinado apenas a filmagens de vida selvagem. Subscrevam.

Definições Canon 7D Mark II

As definições que utilizo na minha máquina para a fotografia de aves.

sábado, 20 de novembro de 2010

A Magnifica Borboleta Almirante Vermelho

Almirante Vermelho
Red Admiral
Vanessa atalanta

É uma espécie com uma grande distribuição, pode ser observada na Europa, no Norte de África, na Ásia e na América do Norte. Pertence à família Nymphalidae, e em Portugal é uma espécie frequente por todo o país. Os indivíduos adultos preferem zonas abertas com flores, como charcos, bosques, prados, jardins e florestas pouco densas. Nos meses mais frios os individuos desta espécie migram para paragens com um ambiente mais favorável à sua sobrevivência, chegando a percorrer cerca de 3000 km.


É facilmente identificável pela sua coloração. Possui uma coloração marron, vermelho e preto nas asas, mais especificamente, as asas pretas possuem bandas de coloração alaranjada que atravessam as asas dianteiras e ocorrem na borda externa das asas traseiras. Possui manchas brancas na parte dorsal das asas dianteiras, e marcas avermelhadas em todas as asas. Esta coloração oferece-lhe camuflagem contra os seus predadores naturais, as aves, isto é, quando pousa em locais abertos ou zonas rochosas, ela fecha as asas e fica quase invisível devido à coloração variada na face inferior, em zonas com flores ela mantém as asas abertas de forma a confundir-se com a paisagem colorida. As lagartas possuem uma coloração entre o amarelo e o preto e espinhos ramificados que lhes fornecem protecção.

As fêmeas depositam os ovos em folhas de urtigas e passado uma semana eclode uma lagarta, estas criam um abrigo usando as folhas e onde permanecem e se alimentam, originando mais tarde a pupa. Os adultos emergem da pupa entre 2 a 3 semanas depois.

A lagarta alimenta-se principalmente de urtigas (Urtica spp.) e parietárias (Parietaria spp.), sendo bastante vorazes. Os adultos alimentam-se do néctar de flores, frutos maduros (já em fermentação) e seiva das árvores.

Os machos são bastante territoriais, patrulhando-os constantemente na esperança de encontrarem uma fêmea, se algum macho invadir o seu território é pronta e energeticamente repelido com recurso a diversos voos acrobáticos.

Este exemplar foi fotografado nas Berlengas.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Toirão, o belo Carnívoro

Toirão
European Polecat
Mustela putorius

É um pequeno carnívoro de hábitos discretos e distribuído por todo o continente, embora a sua situação populacional seja pouco conhecida.

Possui um corpo alongado e cilíndrico. A cabeça é pequena e achatada, possui orelhas pequenas e arredondadas, e as patas são curtas. É facilmente identificável devido à sua pelagem lisa, que é densa e sedosa, o dorso é castanho escuro, os flancos são claros, o ventre é negro e a cauda tem uma coloração escura, sendo tufada. Possui uma mancha branca ao redor da boca e queixo e também ao redor dos olhos e orelhas.

Existe por toda a Europa com excepção da Península Balcânica, nas ilhas mediterrânicas, Irlanda e Islândia. Ocorre por todo o território continental e a sua presença encontra-se descrita em quase todas as áreas protegidas, embora a população seja pouco abundante e a sua tendência populacional ser desconhecida. Existe falta de informação sobre a espécie e como tal possui o estatuto de insuficientemente conhecida. Prefere zonas húmidas, habitando áreas com a interface terra e agua, embora possa ocorrer em qualquer habitat que possua as suas presas. Escava o seu próprio abrigo, embora possa usar antigas tocas de coelho, raposa ou texugo, e também se pode refugiar em fendas entre rochas. As tocas têm pelo menos uma câmara de dormida e outra de armazenamento de alimento.

A sua dieta é carnívora, sendo um predador generalista, alimenta-se principalmente de roedores e lagomorfos (coelhos e lebres), mas também de pequenas aves, anfíbios e peixes. Quando captura mais presas do que as que necessita cria reservas de alimento. O cio e o acasalamento ocorre entre Março e Abril, os machos são poligâmicos e cobrem as fêmeas que os aceitem. Nascem entre 3 a 7 crias por altura de Abril e Junho, o desmame ocorre no final do primeiro mês e elas tornam-se independentes aos 3 meses.

São animais solitários com actividades nocturnas e crepusculares, chegando a deslocar-se 7,5km todas as noites. A alteração e destruição do habitat são os principais factores de ameaça, embora também o sejam os atropelamentos devido ao tráfego rodoviário, o controlo de predadores e a caça furtiva devido ao valor da sua pele.



São difíceis de observar no habitat natural devido à sua discrição. As pegadas medem entre 3 e 3,5 cm de comprimento e 2,4 a 4 cm de largura e surgem por vezes apenas 4 dos seus 5 dedos. Os seus dejectos possuem entre 6 e 8 cm de comprimento e menos de 1 cm de largura, possuindo um odor nauseabundo e sendo constituídos por pêlos, penas e ossos.

Dados das Fotografias:
- 1ª foto: F/5    1/80    ISO-400    220mm
- 2ª foto: F/4    1/80    ISO-400    70mm
- 3ª foto: F/5.6    1/100    ISO-400    300mm
- 4ª foto: F/5.6    1/100    ISO-400    300mm
- 5ª foto: F/5.6    1/40    ISO-400    300mm

F/5.6    1/200    ISO-400    200mm

 F/5.6 1/200 ISO-400 200mm


 F/5.6    1/160    ISO-400    200mm

F/5.6    1/160    ISO-400    200mm

Bibliografia:

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A Migradora Rola-do-Mar

Rola-do-Mar
Ruddy Turnstone
Arenaria interpres

Pequena limícola visitante de inverno, ela percorre longas distancias entre as zonas de reprodução e de invernada, ocorrendo ao longo em toda a costa.

Possui entre 21 e 24 cm de comprimento e entre 44 e 49 cm de envergadura. As patas são alaranjadas e o bico é preto, sendo ambos curtos. A sua plumagem característica permite uma fácil identificação, possuem manchas pretas na cabeça e uma banda preta no peito contrastando com a coloração branca da parte inferior do corpo e apresenta um padrão muito marcado no dorso e nas asas. A plumagem nupcial é bastante colorida.

Tem uma distribuição Holárctica, o seu local de nidificação é no Árctico, ou seja, é uma espécie migradora que inverna na orla costeira de todos os continentes. Em Portugal é um visitante não reprodutor, que se pode observar tanto de inverno como durante a passagem migratória. Tem preferência por plataformas rochosas onde existam algas a cobrir as rochas, por vezes é possível observar em zonas com sedimentos arenosos, estuários, lagoas costeiras e pontões.

A sua alimentação consiste em invertebrados, principalmente de crustáceos e moluscos. O método utilizado na procura e captura de alimento varia com o habitat, época e disponibilidade de alimento, por vezes vira pedras, algas e outros objectos para capturar presas escondidas. Pode também alimentar-se de ovos de outras aves aquáticas.

Pode ser observada ao longo da costa durante o ano todo, embora seja mais abundante durante os meses de Agosto a Maio.

Dados das fotografias:
- 1ª foto: Peniche    F/10    1/400    300mm    ISO-200
- 2ª foto: Peniche    F/10    1/500    300mm    ISO-200
- 3ª foto: Peniche    F/10    1/400    300mm    ISO-200
 
Bibliografia:

www.naturlink.pt

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Inteligente Golfinho-Roaz

Golfinho-Roaz ou Roaz-Corvineiro
Common Bottlenose Dolphin
Tursiops truncatus


Mamifero aquático altamente inteligente, sendo um dos melhores amigos do Homem no oceano e a quem se atribui o salvamento de muitas pessoas naufragadas, encontrando-as por vezes no meio dos destroços. É a espécie mais famosa e conhecida de golfinho, principalmente pelo seu papel desempenhado na famosa série de televisão “Flipper”, mas também pela sua distribuição mundial. Possui uma elevada capacidade de adaptação à vida em cativeiro o que facilitou o seu estudo e o tornou a espécie mais encontrada nos parques temáticos e jardins zoológicos. Comunicam uns com os outros através de silvos distintos, cliques e linguagem corporal.

Possui um aspecto robusto, uma coloração cinzento-castanho e o ventre de cor clara, o bico é curto e encontra-se bem demarcado, a barbatana dorsal é falciforme. Existem dois ecotipos, a forma costeira (mais clara e maior) e a forma oceânica. Os machos podem atingir os 3.9 m, enquanto as fêmeas chegam apenas aos 3.6 m. A época de reprodução varia consoante o hemisfério em que se encontram, Junho e Setembro no Norte e Dezembro e Março no Sul.

A gestação tem uma duração média de 12 meses, da qual nasce apenas uma cria de 2 em 2 ou de 3 em 3 anos. A cria “mama” entre 19 meses a 4 anos, o leite materno é rico em proteínas sendo lançado em esguicho para a boca da cria, que não possui lábio e não pode por isso mamar, durante este período a cria é treinada e fica ao cuidado de outros membros do grupo quando a progenitora vai caçar. A ligação entre a progenitora e a cria é tão forte que já se observou progenitoras a trazerem as suas crias mortas até à superfície para as ajudar a respirar.

Podem viver entre 12 e 40 anos, sendo que alguns indivíduos cheguem aos 50 anos. Vive em grupos familiares entre 10 e 25 indivíduos, tendo sido já registado um grupo com 500 indivíduos. Normalmente os golfinhos passam o seu tempo com os seus companheiros favoritos, as fêmeas e as crias pequenas nadam normalmente em conjunto, assim como os machos. Deslocam-se a uma velocidade média de 20km/h podendo atingir os 40km/h, conseguem mergulhar a uma profundidade de 300m e suster a respiração por 20 minutos, dormem cerca de 8h por dia.

Alimentam-se entre 8 a 15kg de lulas, camarão, enguias e pequenos peixes por dia, normalmente caçam em grupo, encurralando pequenos cardumes e capturando aqueles que se afastam do cardume principal. Sabem tirar proveito das actividades marítimas do Homem, acompanhando os barcos de pesca e capturando os peixes que fogem das redes enquanto as mesmas são puxadas para dentro do barco, e banqueteiam-se dos peixes que os pescadores devolvem ao mar.

Habitam águas tropicais, subtropicais e temperadas de todos os oceanos, tanto nas zonas costeiras como em alto mar, por vezes chegam a entrar em baias, estuários, lagoas, canais e em rios. Em Portugal podem ser observados ao longo da costa de Norte a Sul, e no estuário do Sado, onde existe uma população residente, de apenas três existentes em toda a Europa.

Dados das fotografias:
- 1ª foto: tirada ao largo de Peniche    F/8    1/200    70mm    ISO-200
- 2ª foto: tirada ao largo de Peniche    F/8    1/640    300mm    ISO-200
- 3ª foto: tirada ao largo de Peniche    F/8    1/640    170mm    ISO-200

- 4ª foto: tirada ao largo de Peniche    F/6,3    1/320    70mm    ISO-200
- 5ª foto: tirada ao largo de Peniche    F/8    1/160    70mm    ISO-200